Como foram a infância e a adolescência de pessoas excepcionais

Comecemos com uma dessas revelações que são tão óbvias quanto fáceis de esquecer: se você deseja dominar algo, deve estudar como fazem os melhores nesse campo e praticar. Se você quer aprender a escrever, leia os grandes escritores; se você quer ser bom em programação, estude e pratique desenvolvendo software, etc.

Mas, pesquisas revelam que isso não é uma prática comum entre os pais quando planejam a educação dos filhos. O que normalmente acontece é pesquisar o que outros pais estão fazendo para repetir, ou terceirizar as grandes decisões para escolas, governos e outras fontes possíveis. Na correria do mundo atual, falta o tempo que naquela época era bem mais disponível. Então, como podemos não perder estes benefícios?

O primeiro passo é entender o que era feito e avaliar como podemos adaptar para o mundo atual. Pensando nisto, este artigo reflete sobre o que aprenderíamos com a educação dos maiores gênios do passado nas diversas áreas. Não esqueça que eles viveram em épocas completamente diferentes, mas os aprendizados são bem pertinentes e adaptáveis ao mundo atual.

1. Os humanos são extremamente sociais. 

Eles internalizam obsessivamente valores, ideias, habilidades e desejos das pessoas que os cercam. Portanto, não é surpreendente que aqueles que se tornam excepcionais tenham passado suas formações rodeados por adultos excepcionais.

Quando crianças, interagiram com esses adultos e foram levadas a sério. Os adultos tinham altas expectativas em relação às crianças; eles acreditavam que elas tinham capacidade de entender tópicos complexos e, portanto, eram convidados para discussões sérias e trabalhos significativos.

Cuidar do ambiente ao redor das crianças – oferecer a elas a oportunidade de observar você enquanto trabalha – é gratificante mas cansativo. Os livros podem ser uma boa substituição do meio social, até certo ponto, mas, eventualmente, você precisa de acesso direto com pessoas excepcionais. Ter acesso a elas desde cedo aumenta muito as chances da criança ser moldada por elas.

2. O tédio é tempo para exploração dos pensamentos.

Uma experiência de tédio é também comum na trajetória de pessoas excepcionais. Elas tinham tempo para explorar e confiavam muito no autoaprendizado. Uma hipótese pode ser de que socializar muito com outras crianças simplesmente não é bom para o desenvolvimento intelectual. Isto foi verdade para Mozart, Pascal, Turing e muitos outros. Mas quem seria louco o suficiente para testar essa hipótese nos dias de hoje?

Por outro lado, podemos oferecer momentos sem distrações, com poucas opções do que fazer, de atividades limitadas, distante de equipamentos eletrônicos e outras crianças, seja sozinhas ou com outros adultos apenas. Estes momentos exigem das crianças criatividade e tranquilidade, resultando em inevitáveis reflexões sobre pensamentos aleatórios.

Ao contrário das crianças de hoje, os gênios estudados por Henrik Karlsson em sua pesquisa tinham pouco acesso a entretenimento e, portanto, ficavam entediadas, a menos que descobrissem uma maneira de manter suas mentes ocupadas; as obsessões intelectuais que se tornaram o trabalho de suas vidas muitas vezes surgiam deste tédio.

3. É importante ter recursos e tempo para desenvolver habilidades

Organizar o ambiente ao redor das crianças exige muito cuidado, convidando visitantes fascinantes, criando bibliotecas, trazendo máquinas para casa e dando liberdade para exploração. As crianças precisam de muito tempo para explorar livremente seus interesses.

Uma estimativa a partir da pesquisa de Henrik Karlsson é que elas gastavam entre uma e quatro horas diárias em estudos formais e o restante em projetos autodirigidos. O tempo de tédio leva elas a se interessarem em explorar mais e mais seus interesses em projetos.

4. Encontre um tutor que cuida e estimula a exploração de saberes

Quando se trata de instrução formal, um elemento importante é o tutor. Mas não se trata de alguém que fique medindo os níveis de aprendizado de cada matéria. Pode ser um tutor adulto pago, um especialista em alguma área que se quer desenvolver, que seja capaz de passar um tempo significativo com a criança ou adolescente, instruindo ela mas principalmente estimulando discussões, muitas vezes com experimentos, estimulando o conhecimento, mas também o envolvimento com assuntos intelectuais.

Uma pesquisa do psicólogo educacional Benjamin Bloom mostra que os alunos tutelados têm desempenho duas vezes melhor do que os alunos que aprendem através de métodos de instrução convencionais. A tutoria é, sem dúvidas, um método mais confiável para transmitir conhecimento do que palestras para grandes grupos. É também mais rápido.

Mas cuidado, pois para um tutor ajudar a criança a crescer precisa construir um vínculo profundo e delicado. Um tutor deve conquistar o esforço sincero da criança. Neste ponto, se a firmeza não partir de um lugar de respeito – se eles não sinalizarem que realmente acreditam que a criança é capaz de mais do que pensa – a severidade pode afastar.

5. Ofereça oportunidades de aprender fazendo

Aprender por meio de um “estágio” é uma das maneiras mais poderosas de se tornar habilidoso. Proponha projetos relacionados, acompanhe, e sirva de exemplo fazendo junto, mas nunca fazendo pela criança. 

Se estiver querendo desenvolver habilidades cognitivas, ainda assim é possível encontrar maneiras de tornar os pensamentos visíveis para que o aprendiz possa imitá-los. Conversas sobre os exercícios ou mesmo “pensar alto” enquanto executa uma tarefa são boas opções.

Um grande desafio que podemos te ajudar

Fazer tudo isso – organizar um meio com pessoas excepcionais, dar tutoria dedicada, curar conteúdo de qualidade e oferecer oportunidades de aprendizado prático – é um trabalho duro. Alguns pais certamente poderiam conseguir executar se tiverem tempo, rede de contatos e bastante conhecimento. Claro, fazer com excelência, exigiria grandes sacrifícios, principalmente de tempo. É normal não conseguir isso.

Outra alternativa seria fazer de forma parcial, pois algumas atitudes não exigem sacrifícios enormes. Por exemplo, você consegue um grande impacto apenas mudando a maneira de ver as crianças: como capazes, competentes, interessadas por trabalhos significativos, e dignas de serem incluídas em discussões sérias. Podemos aprender a vê-los assim, mas é uma mudança sutil e profunda na percepção, uma mudança longe do modo como somos ensinados a ver as crianças.

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Caso queira aprofundar na pesquisa referenciada neste artigo, acessa o link da fonte:

https://www.lesswrong.com/posts/CYN7swrefEss4e3Qe/childhoods-of-exceptional-people

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