Desenvolver competência para a resolução de problemas

*Artigo publicado no Jornal do Commercio por um dos conselheiros da Expacer

Problema refere-se a uma situação, questão ou desafio que requer uma solução. Um problema é algo que causa preocupação, dificuldade, desconforto e demanda atenção para ser superado. Desde desafios cotidianos até situações mais complexas, enfrentamos problemas em algum momento de nossas vidas. Podem ser de natureza variada, desde matemáticos e quebra-cabeças até conflitos emocionais e dilemas éticos. Podem variar em complexidade e escopo, desde questões simples que podem ser resolvidas rapidamente até desafios mais intrincados que demandam análise profunda e estratégias elaboradas para encontrar soluções eficazes. Quando surgem, é necessário pensar em alternativas para resolvê-los. Para alguns, o problema já tem solução, mas é desconhecida para a pessoa que está na situação problemática. Entretanto, há imbróglios para os quais é necessário descobrir uma solução, com o apoio de alguém que já o vivenciou e obteve sucesso na resolução.

A percepção de um problema varia entre as pessoas. Algumas tendem a ver os problemas como desafios que podem superar, enquanto outras os veem como obstáculos intransponíveis. A forma como percebemos um problema, ou seja, a forma como o interpretamos e avaliamos, pode ser influenciada pelas nossas experiências anteriores, pela nossa autoestima e pelas nossas crenças pessoais.

Os problemas podem ser encontrados em diversas áreas e em diferentes contextos: Matemática (resolver equações), Ciências (analisar dados para identificar padrões ou anomalias), Tecnologia (corrigir bugs em programas de software), Saúde (desenvolver estratégias para melhorar a saúde e o bem-estar geral), Negócios (resolver conflitos interpessoais ou questões de gestão de recursos humanos), Sociologia e Política (encontrar soluções para problemas sociais, como desigualdade, pobreza), Relações Interpessoais (resolver conflitos familiares ou profissionais). O mundo do trabalho requer, cada vez mais, pessoas capazes de resolver problemas não cotidianos. É competência demandada em ocupações gerenciais, profissionais e técnicas altamente qualificadas.

A OECD (The Organization for Economic Cooperation and Development)/ PISA (Program for International Student Assessment) define competência para resolução de problemas como “A capacidade de um indivíduo de se envolver em processo cognitivo para entender e resolver situações-problema com solução não óbvia”. Ela requer conhecimento de metodologias; capacidade do indivíduo de pensar crítica, criativa e sistemicamente; resiliência; motivação; e perseverança. A avaliação PISA de resolução de problemas diz respeito apenas a atividades não rotineiras.

Essa competência foi avaliada no PISA como um domínio separado em 2012. As avaliações regulares, subsequentes, de matemática, leitura e ciências incluíram desafios de resolução de problemas que avaliaram a capacidade dos alunos de usar seus conhecimentos curriculares para enfrentar desafios da vida real. Assim, ao medir as habilidades de resolução de problemas de jovens de 15 anos, o PISA fornece evidências sobre o sucesso comparativo dos sistemas educacionais em equipar os alunos para o sucesso na vida, podendo orientar a definição de políticas e práticas educacionais.

Nessa avaliação, classificaram-se nas primeiras posições: Singapura, Coréia do Sul, Japão, China (Macau, Hong-Kong, Shanghai, Taipei), Japão, Canadá e Finlândia. O Brasil ficou na posição 38 de 44 países avaliados. Os resultados são classificados em seis níveis de proficiência. Conquistaram destaque os países que obtiveram desempenho igual ou superior ao nível 5: Hong Kong-China (19,3%), Taipei e Shanghai-China (18,3%), Canadá (17,5%) e Austrália (16,7%). No Brasil, menos de 2% dos alunos obtiveram desempenho no nível 5 ou 6, bem abaixo da média da OCDE. Esse baixo desempenho impacta negativamente a competitividade do país.

A resolução de problemas começa, basicamente, com o reconhecimento da existência de uma situação-problema e compreensão sistêmica da situação. Requer que o solucionador identifique o problema a ser resolvido; busque informações; formule o problema claramente; entenda as causas e efeitos; planeje e execute uma solução; monitore e reflita sobre a implantação, ajustando o processo sempre que for necessário. A definição equivocada do problema pode implicar em consequências desastrosas para indivíduos, organizações, cidades, países. O processo precisa ser facilitado por profissional qualificado e não envolvido com o problema.

Há metodologias importantes para a resolução de problemas. Entre outras se destacam Creative Problem Solving (Solução Criativa de Problemas) desenvolvida pelos fundadores da Creative Education Foundation, Sid Parnes e Alex Osborn e Design Thinking, desenvolvida pela empresa global de inovação, IDEO.

O aprendizado para resolução de problemas precisa ser estimulado desde a educação básica. Métodos de ensino progressivos, como aprendizagens baseada em problemas e em investigação, podem ser usados para preparar os alunos a aplicarem seus conhecimentos em situações novas. Todos os professores podem criar oportunidades para desenvolver competências de resolução de problemas. Por exemplo, hábitos de pensamento, como observação cuidadosa, consciência sobre o próprio processo de trabalho ou autoavaliação crítica, podem ser incutidos nos alunos em qualquer disciplina do currículo escolar. Urge ser implantado nas escolas do Brasil.

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